sábado, 1 de outubro de 2011

8ª bienel do mercosul

Além Fronteiras

Aracy Amaral, curadora convidada

Sendo a territorialidade o tema desta 8ª Bienal do Mercosul, três rotas dentro do espaço do Rio Grande do Sul, a nosso ver, propiciam visões diferenciadas. A ideia seria de que delimitações políticas entre nações, no caso do Brasil e de seus vizinhos, nem sempre correspondem a uma autonomia cultural encerrada dentro desses limites. O Estado hospeda de maneira exemplar duas realidades político-culturais análogas: a região dos pampas e a das missões.

Percorrendo os pampas – rio-grandense, uruguaio ou argentino –, percebe-se com clareza que se trata da mesma realidade, independente do nome que o país assume em cada rincão. Sobretudo a partir da paisagem, a planura a perder de vista, com suas ondulações suaves, coxilhas, céu amplo, o gado como cultura e base da economia, o comportamento do homem do campo nessa região.

Exemplo similar é oferecido pelos territórios que retêm um clima peculiar por seu passado, que no período colonial foi o das missões jesuíticas; ou pelo maravilhamento da região dos canyons do Rio Grande do Sul, ímpar pela beleza que emudece o visitante.

Ao pensar nesses territórios Além Fronteiras, nos indagamos: não seriam os limites político-geográficos senão artifícios criados pelo homem para reafirmar um idioma, plantar uma bandeira, desenhar um escudo, compor um hino, estabelecer uma forma de governo e exigir documentação para se cruzar uma fronteira por ele mesmo demarcada?

Percorrendo quilômetros de estradas e cidades do território do múltiplo e belo Rio Grande do Sul, percebemos a relatividade do termo “fronteira” ou “limite” no sentido de circunscrição que usualmente o termo abarca.

Foram convidados nove artistas, quatro do Rio Grande do Sul (Lucia Koch, Carlos Vergara, Marina Camargo e Carlos Pasquetti), um de Belo Horizonte (Cao Guimarães), um de São Paulo (Felipe Cohen), uma da Argentina (Irene Kopelman), um da Colômbia (José Alejandro Restrepo) e um de Israel (Gal Weinstein), deliberadamente de gerações bem distintas, para conferir, através de seus trabalhos, as leituras sensíveis da realidade cultural e paisagística do Rio Grande do Sul.

Assim, a exposição será uma conversação entre a produção contemporânea dos artistas convidados e, como contraponto, no mesmo espaço do MARGS, a presença de obras/documentos de outros momentos/tempos.

Artistas

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